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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Composição: 6 Passos Para Compor Sua Primeira Música.

(Foto - Jon Foreman, um dos meus compositores preferidos escrevendo no papelão)

"... Palavras de sabedoria 

"Quando você está compondo, se você está com medo da música ficar horrível, você nunca escreverá uma nota".
 
Jeff Boyle, cantor-compositor de Cubs Win”e uma multidão de comerciais de TV, incluindo Coors Light e McDonald's.

Composição pode precisar de uma quantidade enorme de paciencia e trabalho duro. Felismente, tem muita diversão pra se ter ao longo do caminho. Nesse espírito, nós juntamos — pra você — Os 6 Passos Para Compor Sua Primeira Música:

1. Encontre uma mensagem pela qual você sinta apaixonado.
Escolha uma causa que ressoa com você (uma aposta sempre certa é qualquer coisa sobre o amor - ou a falta dele!). Escreva sobre aquela garota que você está muito inseguro para chamar pra sair ou aquele cara que você queria que ele te notasse. Escreva sobre o que te interessa. Escreva sobre o que você sabe. Mantenha isso simples! Se o assunto é vital para você, ele provavelmente será vital para os outros também. Da mesma forma, se você não se importa sobre um assunto, não espere que os outros se importem também.



2. Encontre uma melodia simples.
Tantos compositores novos esquentam suas cabeças tentando ser complexos para ganhar amigos e enfluenciar os editores.  Nós compositores não somos pagos por nota – nós somos recompensados pelas conexões fazemos nas sinapses cerebrais do nosso público. Muitas vezes as melodias mais fáceis são as mais duradouras.


3. Procure um progressão simples de acordes.
Procure o seu teclado ou seu violão para esse elemento necessário da sua música, use um programa como o GarageBand, ou pesquise na internet clubes e locais que os músicos possam acomodar as suas letras e melodias em uma comfortável cama de música.

4. Encontre um lugar para escrever.
 Encontre um lugar tranquilo e pacifico para limpar sua mente, acender um pouco de incenso, e deixar que as melodias e emoções fluam. Se isso não for possível, qualquer estação caótica de metrô vai servir. Outros lugares interessantes de se escrever: Supermercados, feiras, partidas de futebol, no carro, e em qualquer outro lugar onde as distrações se beiram zero.


5. Encontre um piano de calda Bosendorfer em uma antiga catedral
e deixe seus dedos pousarem sensualmente sobre as teclas enquanto você compôe
sua obra-prima!
Se isso não for possível, pegue qualquer instrumento velho que está jogado por aí na casa e veja se você pode tirar algum som dele. Na verdade tudo se trata do que você está ouvindo na sua cabeça. Se você consegue imaginar a forma a música finalizada vai soar, você pode escrever ela. O banjo do tio Louie deve servir pra isso.


6. Encontre a confiança dentro de você mesmo para colocar seu coração e alma em
linha e mostrar sua música para outras pessoas.
É através deste circuito de feedback constante que você aprende como melhorar suas músicas. Resista à tentação de considerar só as reações positivas. Da mesma forma, você deve resistir
ao desejo de desvalorizar as reações positivas. Respire os elogios, e o peso das pedradas. Respire tudo isso, mas antes de fazer qualquer alteração, sempre consulte o seu coração pela verdade.

... "
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Escrito por Jim Peterick, Dave Austin e Cathy Lynn
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sábado, 4 de dezembro de 2010

5 Dicas Sem Preço Para Jovens Compositores


(OBS: Algumas dicas deste artigo são mais mais centradas a música clássica, mas use o que servir pra você.)

Para mim, a composição é um dos eventos mais recompensadores que eu posso tomar parte. Porém, ficar confortável com essa linguagem leva um tempo bem longo, e daí, somente uma porcentagem bem seleta de pessoas realmente tornam esse sonho realidade.

Então eu escrevi essas 5 Dicas Para Novos Compositores . Não importa qual estilo, qual nível você está, ou até onde você realmente quer ir – de um hobbista a um profissional – Essas 5 dicas vão realmente melhorar sua habilidade de compor.

1. Escreva Alguma Coisa Todo Dia

Essa dica é frequentemente ignorada, mas é importante perceber que praticar nossa habilidade da forma mais frequente possível é necessário para o crescimento. Assim como um atleta que levanta pesos para se tornar mais forte e se apresentar melhor, nós devemos escrever consistentemente para trazer nossos pensamentos/emoções/sentimentos na música que nós escrevemos de forma mais efetiva e certeira.

Isso não significa que nós temos que escrever uma peça inteiramente nova todo dia, mas você deveria pelo menos praticar compor uma seção de música ou desenvolver o montante. Mesmo se você vai compor hoje com a sua guitarra completamente de ouvido e então praticar composição para um quarteto de cordas amanhã, não importa. Apenas esteja certo de que o que você pratica tem uma relação mais direta com os seus objetivos.

Como alguns de vocês devem saber, eu sou um grande fã de escutar e aprender de outros estilos de música. Porém, quando eu escrevo, eu tento focar a maior parte do tempo na música que eu gosto. De tempos em tempos eu componho uma música em um estilo diferente pra aprender dele, mas nunca tão frequente quando eu gasto meu tempo escrevendo músicas que se encaixam nos meus objetivos finais.

2. Defina a Forma

O que eu quero dizer aqui é que sempre é legal saber onde você vai terminar lá no final antes de você começar a se mover. Certamente, algumas vezes você vai apenas entrar no seu carro e dirigir por aí. Porém, na maioria do tempo nós temos um lugar em mente que nós gostaríamos de chegar quando nós entramos no carro. O mesmo serve para a composição.

É muito mais fácil compor uma peça de música (e bem menos cansativo!) quando você define especificamente a duração da peça do começo ao fim. Uma vez que você fizer isso, é bom descobrir onde as seções vão se dividir. Talvez você tenha uma composição de 8 barras e seu primeiro refrão apenas dure 16 medidas dessa vez, mas da próxima vez quando ela chegue, ela dure 32 medidas. Na verdade não importa o que você decida, mas é sempre útil definir uma idéia difícil do que você gostaria de alcançar antes que você vá atrás do seu objetivo (mesmo que você eventualmente vá bem longe dos seus parâmetros).

3. Seja Modesto com as Novas Idéias

 Uma grande tentação quando você é um compositor novo jogar tudo que você aprendeu em sua última composição (Eu sei isso por experiência própria!). Misturar Funk, Swing, e Death Metal parece ótimo em conceito, mas você logo verá que é bem mais fácil falar do que fazer.

Então eu recomendo escolher apenas uma ou talvez duas novas idéias que você ainda não tentou e então jogue elas em um estilo que você está mais acostumado.

Por exemplo: Você gostaria, mas ainda não experimentou compor para 4 vozes em um estilo clássico tradicional; mas é mais acostumado com o rock?

Ótimo! Componha algo que você goste para as vozes primeiro e então peque a sua experiência com o rock e aplique a idéia como achar apropriado. Certamente, você mudará as partes vocais aos poucos enquanto você progridem mas você também aprenderá modos novos e inovadores de fundir o rock com esse estilo unicamente diferente. Talvez você descubra que um solo de guitarra característico não funcione nessa situação, mas um modo único de tocar arpeggios ou os acordes funciona perfeitamente!

4. Dê Espaço!

Você já se perguntou por quê os guitarristas de rock sempre tocam Power chords e Oitavas (além do fato de que isso soa legal)?

É porque as oitavas e as quintas perfeitas soam melhor a parte grave de qualquer instrumento, e desde que a guitarra transpõe uma oitava a baixo, os guitarristas tendem a tocar voicings que começam com uma quinta ou oitava perfeita nas cordas mais graves (E e A)

É muito importante se lembrar disso, como uma fundação de que a parte grave é essencial para quase todo tipo de música. Certamente, você pode tocar terças na parte grave, mas é mais provável que ela seja suja de mais para ser reconhecida. Então, como uma regra básica, qualquer acorde começando abaixo da linha do meio do baixo deve ser escrita com uma quinta perfeita ou uma oitava no fundo.

5. Dê Suporte Para A Melodia

Por ultimo, mas não menos importante, se você escreveu uma melodia muito importante no seu climax absoluto e você quer que ela seja forte e robusta, então você deve dar suporte a ela! Não espere que o violino carregue toda a melodia alta (mesmo se você têm 20 deles). Se você quer que ela saia forte, você deve dar suporte a ela de alguma forma.
Geralmente, se a melodia está bem aguda, você queira dar suporte a ela duplicando (ou as vezes triplicando) a melodia uma oitava abaixo em outro instrumento (talvez uma viola, ou outra guitarra para o rock). Isso deve deixar a melodia bem mais clara sem contrair a integridade dela.

Se mesmo assim essas linhas ainda parecem um pouco fracas, então eu recomendo dar suporte a sua melodia principal com sextas. Essa é uma técnica usada normalmente e pode te dar algumas harmonias únicas que você nem pensou usar antes.


Então, aí estão minhas 5 dicas pra você. Eu espero que você tenha achado isso útil, mas se você praticar elas frequentemente eu te garanto que elas serão.


Até a próxima, se cuidem e continuem compondo, companheiros artistas.

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Escrito por Kole
Retirado de: http://www.guitar9.com/columnist688.html
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domingo, 29 de agosto de 2010

Composição Musical - Parte 5 (por Flávio Lima)

Público Alvo e Marketing

Quando produzimos música, queremos naturalmente que ela seja ouvida pelo maior número de pessoas possível. É muito interessante quando alguém diz que ouviu uma canção nossa e diz que gostou da letra ou da melodia ou que ouvir determinada música fez com que ela lembrasse de algum momento importante em sua vida.
É para isso que produzimos música, para que ela seja usufruída e apreciada por um determinado tipo de público. Devido ao imenso número de pessoas existentes e à sua multiplicidade cultural, comportamental e de costumes, devemos lançar mão de uma determinada estratégia para que nossa música atinja o público desejado. É nessa hora que devemos começar a pensar em algumas estratégias de Marketing para termos sucesso. O Marketing nos ajuda a colher informações sobre nosso público alvo e a definir a melhor atitude para fazer nossa música chegar a essas pessoas. E isso é muito importante também no momento em que estamos compondo, no âmago da criação do nosso produto musical.

E qual é o público desejado? - você deve estar se perguntando. Podemos dizer que é o grupo populacional com o mais alto potencial de identificação com sua música; são essas pessoas que comprarão seus CDs, que baixarão seus mp3 e que irão aos seus shows com mais freqüência.
Devemos começar pensando no estilo da música que fazemos e como essa música se relaciona com os hábitos do nosso público alvo. Por exemplo, se você toca música mais tranqüila (MPB tipo Caetano Veloso ou Marisa Monte), muito provavelmente seu público alvo terá hábitos mais tranqüilos e discretos e apreciará bastante algum tipo de leitura; a faixa de idade pode ser entre 15 a 60 anos. Já o público de rock mais pesado (faixa dos 13 a 45 anos, mais ou menos) tem uma maior atitude de contestação, as roupas chamam a atenção (podem usar somente roupa toda preta ou com alguns elementos – pulseiras, cabelo colorido, dançam freneticamente etc.). O público de rock mais melódico (estilo Beatles, Kid Abelha e Paralamas do Sucesso) não procura chamar tanto a atenção com a roupa, mas aprecia melodias bem construídas e os timbres dos instrumentos. Geralmente gostam de ouvir também músicos e bandas dos anos 50 e 70.

Você viu algumas diferenças interessantes entre o público de rock (rock mais pesado e rock melódico). Se você pensar no seu público no momento da composição de sua música, é possível sair ganhando e entrar em contato mais rápido com as pessoas que podem baixar seus mp3 ou comprar seu CD. Você pode compor alguma letra que fale sobre temas existenciais, por exemplo. Há uma grande busca hoje em dia por uma melhor qualidade de vida, muitos procuram a auto-ajuda e querem se conhecer melhor para serem mais felizes. Porque não falar disso em sua música? Pesquisa atualidades, leia sempre vários jornais e revistas.
O amor romântico também pode ser abordado de forma diferente em suas letras. Você pode escrever algo que não seja tão piegas ou meloso, se não o quiser. Se você canta um estilo mais romântico, procure falar dos hábitos de hoje em dia (muitas pessoas “ficam”, não namoram) e isso pode ser bom para a sua música. Gostaria somente de passar uma pequena dica: tente sempre ser universal, trate a sua música de forma que a pessoa possa ouvir hoje e daqui a 50, 100 anos sem parecer tão desatualizada. Isso pode ser feito com uma letra com temática mais ou menos geral. Se você definir uma data (mês ou ano) na sua letra (algum evento específico que aconteceu numa determinada data) ou se referir a algum personagem ou ídolo específico, cuidado que ele pode tomar alguma atitude vergonhosa e decepcionar você (ninguém é perfeito). Como a sua música estava, em hipótese, ligada a ele, ela também vai perder valor. Portanto, cuidado com citações, homenagens a pessoas e datas.

Procure conhecer os lugares, modos de vestir, do que mais gostam de falar, comprar e ler os que mais simpatizam com o seu som. Com o tempo, você vai começar a traçar um perfil do seu público e vai se surpreender, encontrando diversos aspectos comuns. Por exemplo, você pode perceber que as pessoas que gostam de sua música gostam de ouvir também bandas como Legião Urbana e Rolling Stones, que gostam de CDs de músicos independentes e que apreciam muito baixar músicas da Internet para ouvir no carro ou em casa. Em especial, você pode descobrir que gostam muito de comer sanduíches! O que isso sugere a você, como você pode usar isso em benefício de sua música? Pode parecer óbvio, mas pode ser uma boa idéia compor alguma coisa sobre sanduíches. A letra da música pode falar sobre um cara que "foi comer um sanduíche e na lanchonete conheceu o amor de sua vida". Feito de forma criativa e confiante, a música pode ficar boa e cativar o seu público.

Uma das músicas que fiz (“O caminho”) possui uma letra que trata da trajetória que seguimos na vida, fala de modo simples sobre nossas escolhas e como é difícil tomar decisões importantes. Um trecho da letra diz: “... o caminho... quem vai seguir..., quem vai chegar...., quem vai voltar..., já é o final da estrada...”. É um modo simples e dramático de falar de nossas escolhas, é algo como “cuidado na sua vida, pode ser a última chance”. As pessoas podem se identificar com isso, já que atualmente há uma busca muito intensa pelo autoconhecimento.

É claro que a meta de atingir o público alvo não deve subverter o seu processo de criação, ou seja, uma música só vai ser legal se ela for sincera e coesa. Não adianta compor artificialmente só para meramente atingir um grupo de pessoas, você deve aliar o seu estilo pessoal de compor com uma boa escolha dos temas, de modo que você se sinta à vontade para falar sobre ele, não adianta forçar. Lembre-se sempre de que o seu julgamento estético e o bom senso serão seus guias nessa trajetória. Procure conhecer o seu público, mas nunca deixe de ser sincero e verdadeiro com ele. Tenha certeza que, se isso acontecer, muitos perceberão e só você perderá com isso.

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Retirado de: http://www.flaviolima.com/
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Composição Musical - Parte 4 (por Flávio Lima)

Integração Entre Letra E Melodia

Neste artigo discutiremos alguns “mistérios” relacionados ao encaixe entre a letra (poesia, parte escrita da música) e a melodia (a música propriamente dita) no âmbito das canções populares. Nos três artigos anteriores discutimos generalidades sobre composição musical, como ter mais inspiração e como guardar e registrar adequadamente estas idéias.Como já falamos anteriormente, a primeira necessidade é ter paciência com a música que se está compondo no momento. Podemos pensar, no começo do processo de composição, que a música está ruim e que o melhor é jogar o rascunho da letra fora ou esquecer a melodia. Nesta fase a letra pode estar rudimentar, às vezes as frases ainda estão sendo encaixadas e elaboradas; o assunto pode ainda estar sendo construído. É aí o ponto crítico, onde ou desistimos da canção ou continuamos e temos sucesso. Sugerimos a você que tente mais um pouco.

Se você começou a compor com a letra primeiro, sabemos que as palavras ou mesmo frases inteiras podem sugerir uma melodia, pela sua musicalidade própria. Um exercício legal para trabalhar a percepção e a sensibilidade é ler poesia e prestar atenção na musicalidade das palavras. Quando lemos em voz alta a palavra “violão” a sensação é diferente de quando lemos a palavra “maçã”. Pode ser que você não concorde, mas acho a palavra “violão” mais séria, mais grave e pesada do que a palavra “maçã”. Perceba que a sensação que uma palavra causa pode estar ligada à sua sonoridade (musicalidade), ao seu significado ou ao contexto da frase ou trecho da letra onde ela vai estar encaixada.

Essa percepção é interessante, já que esse “humor” das palavras e frases pode sugerir melodias ao compositor. Após um certo tempo, nossa percepção começa a se abrir para essa habilidade, que acredito que está em todos nós em maior ou menor grau. Com um pouco de treino a facilidade virá naturalmente. Caso você ache que uma determinada letra é um pouco triste e queira torná-la mais alegre sem modificá-la, é possível construir uma melodia alegre para ela. O resultado será uma canção moderada que transmitirá a mensagem com um tema dramático mas que não terá um efeito tão depressivo sobre o ouvinte. O oposto também pode ser verdadeiro, sem dúvida alguma.
Noutras ocasiões, a letra vai sugerir uma linha melódica mais alegre, ou com um andamento mais rápido (música rock, balada mais acelerada) ou dançante. Outras vezes, se você começar pela linha melódica pode surgir uma frase inteira que se encaixe diretamente num trecho melódico com muita facilidade. É essa frase inicial completa (com letra e melodia devidamente encaixadas) que às vezes determina o desenvolvimento e o desfecho da música, que às vezes necessita de um pouco mais de esforço para ser completada.

É possível que o ritmo e o instrumento musical onde você está compondo a canção influenciem o resultado final. Esteja sempre aberto a modificações de ritmo e testes variados. Uma música pode começar com uma melodia lenta, mas pode ser necessário acelerá-la (o que vai determinar isso é o seu senso crítico, você tem às vezes que saber o que a música está “pedindo”). Sim, às vezes uma canção é tão forte e expressiva que ela adquire vida própria realmente, ela passa a “pedir” para ser mais rápida, ou mais dançante ou para ter mais ou menos letra. Para outras, por outro lado, será preciso um esforço maior. É possível você fazer uma letra enorme e depois perceber que fica melhor cortar dois terços do que você escreveu, preenchendo o tempo de música com repetições de trechos. Noutras vezes, a letra da música flui com frases que não se repetem, sem refrões nem rimas, como a canção “Faroeste Caboclo” da banda Legião Urbana. Algumas letras da banda alagoana Mopho são bastante simples e revelam brincadeiras surrealistas com a letra (“Uma leitura mineral incrível”), onde o destaque pode estar na ênfase de determinadas sílabas, que são prolongadas ou encurtadas propositadamente para realçar a canção.

Outra dica interessante, principalmente quando se está começando a compor (e quando não se tem uma letra) é ficar testando acordes no violão, até você encontrar uma seqüência interessante de dois ou três acordes. Encontrou uma seqüência legal? Então passe a cantar algo, mesmo que seja sem sentido, sempre procurando a “voz” ou as “vozes” do acorde ou da seqüência de acordes. Se você encontrar um fraseado vocal interessante, vai ser mais fácil começar a determinar uma letra para esse trecho.
 Se você só tem a letra completa mas não tem melodia, preste atenção nos inícios de frases (para determinar melodias) ou então nas partes que mais lhe chamarem a atenção. É bastante provável que estas partes se tornem os refrões da música, que são os trechos com mais apelo e energia.

Tente compor nos estilos musicais que mais lhe agradam. Assim tudo será mais fácil e natural, com uma sensação de familiaridade, o que tornará o processo mais prazeroso. Nesse início também é interessante procurar imitar o estilo de compor de algum ídolo, mas lembre-se de que, mesmo que isso aconteça, com o desenvolvimento progressivo é natural que suas próprias características comecem a se definir e a se revelar em suas composições. A última dica (e não menos interessante) é procurar formar clubes de composição, seja em casa de amigos ou em bares e locais públicos para encontros semanais, onde vários compositores possam se encontrar, mostrar suas músicas uns aos outros e estabelecer um intercâmbio de idéias.

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Retirado de: http://www.flaviolima.com/
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Composição Musical - Parte 3 (por Flávio Lima)

Tendo Mais Inspiração

Não há dúvidas quanto ao fato de que a inspiração artística é um terreno pantanoso e percorrido por poucos aventureiros. Muitos pensam que, por ser algo subjetivo, não seja possível desenvolver a inspiração. É aí que muitos se enganam e perdem grandes oportunidades, que estão presentes em nosso dia-a-dia e (o mais importante de tudo) ao alcance de todos nós.
Podemos admitir que a inspiração é um grande “poço de idéias”. Quanto mais alimentarmos este “poço”, mais ele responderá às nossas solicitações e necessidades. A “quantidade” destas idéias é fundamental, mas a forma como elas se entrelaçarão (a “qualidade”) também será de extrema importância para o sucesso na atividade de composição musical. E para isso pode ser importante mudar certos conceitos de sua visão de mundo (falaremos sobre isso mais adiante).

Sendo assim, como poderemos alimentar nosso “poço de idéias”? As idéias podem nascer de fontes variadas, sejam elas estímulos sonoros, textuais (livros, histórias em quadrinhos, panfletos, revistas etc.), táteis, visuais, olfativos, emocionais, sensitivos e de vários outros tipos. Quando você lê um livro ou vê um programa de televisão, você entra em contato com valores que foram transmitidos por aquele veículo (sejam eles valores culturais, econômicos ou sociais). Alguns destes valores vão ficar profundamente gravados em sua mente, seja porque foi algo com que você se identificou de modo especial ou porque simplesmente determinado detalhe lhe chamou a atenção (o cenário de um programa de TV, por exemplo). Sendo assim, alguns fatos serão lembrados por você mais facilmente do que outros, quando você sentir necessidade. Por isso não despreze informações, procure absorver algo de tudo com que você entrar em contato.

A nossa percepção é uma das ferramentas mais importantes, estando diretamente relacionada à sensibilidade. Quando você visitar um restaurante, procure prestar atenção ao ambiente, à decoração, à iluminação e ao mobiliário. Quando ler um livro, procure visualizar em sua mente o que você estiver lendo (a formação de imagens mentais é um dos melhores treinos para a criatividade). Quando estiver ouvindo uma canção, procure prestar atenção em cada instrumento musical e nas diferenças de volume de cada um deles, bem como no entrelaçamento entre letra e melodia; tente definir o que aquela música desperta em você (calma, raiva), se ela se parece com algo que você já ouviu. Quando for apresentado a alguém, observe os detalhes da aparência e do comportamento dessa pessoa.

Vamos agora dar um exemplo bastante prático de como tudo isso vai ser útil para você. Digamos que você queira escrever uma letra para uma música que seja a narração de uma história, ao estilo “Faroeste Caboclo” (banda Legião Urbana), do tipo “Johnny be goode” (Chuck Berry) ou como “Marieta e eu” (do trabalho recente do alagoano Basílio Sé). Digamos que você queira criar um pesonagem para a história, onde sua aparência e comportamento serão descritos com detalhes. Por que não usar as características de alguém que lhe foi apresentado recentemente? É claro que na letra da música você vai colocar um nome diferente para o seu personagem, que não seja o da pessoa real.
Na canção “Supersonic”, da banda inglesa Oasis, o compositor cantou “... I know a girl called Elsa” (“... eu conheço uma garota chamada Elsa”). À primeira vista, é claro, você acredita que o compositor se refere a uma garota, mas na verdade Elsa era uma cadela que estava no estúdio na hora que a música estava sendo composta. O nome do animal é que foi o elemento de valor, o verdadeiro “X da questão”, justamente porque ajudou a rimar a letra. O que também quero deixar claro aqui é que você não deve se prender a nada, não crie regras onde elas não existem. Hoje você pode fazer uma letra que contenha rimas, amanhã ela pode não rimar. Certas letras contam histórias, outras não falam sobre nada especificamente (a beleza pode estar na musicalidade das palavras e no entrelaçamento com a melodia).

Gostaria de lembrar aqui a importância de anotar todas as idéias e gravar suas melodias, para acessar e desenvolver depois (tema do artigo anterior). Com relação a melodias, a dica mais importante é nunca menosprezar nenhuma idéia melódica que venha à sua mente. Uma pequena linha melódica de três notas (um “tan ran ran” qualquer) que apareça na sua cabeça (e você considere uma porcaria no inicio) pode vir a se tornar uma grande música. Pode parecer engraçado, mas se você está dedilhando o seu violão sentado no sofá e nenhuma idéia aparece, tente andar um pouco. Mesmo que seja andar em círculos ao redor de uma mesa, ou de uma mesa de centro. Logo após, volte a tocar o violão, ou o piano. Se não funcionar, vá dar uma volta fora de casa, volte em alguns minutos e pegue de novo o violão. É surpreendente, mas funciona (talvez porque o seu cérebro fique mais oxigenado, ou porque o movimento em círculos ajude a estimular a percepção sinestésica, gerando atividade cerebral). Lembre-se de que a reformulação de nossa visão de mundo e a disposição de aprender com todos à nossa volta são atitudes fundamentais para o desenvolvimento. É por meio disso que aprenderemos a combinar nossas idéias dos modos mais diversos possíveis, para que possamos enxergar maiores possibilidades em nosso caminho.

Por fim, não menospreze nada. Informações do cotidiano, conversas com amigos, idéias de letras e melodias, conhecer novas pessoas e lugares, tudo isso é muito importante para desenvolver sua percepção sensorial. Ah, tenha bastante cuidado com bebidas e, de preferência, não fume. Para criar, o cérebro é o seu principal instrumento e para isso ele precisa ser conservado da melhor forma possível (lembre-se de que não nascemos com estepe). O álcool, o fumo e outras drogas podem prejudicar irreversivelmente o desempenho cerebral!
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Retirado de: http://www.flaviolima.com/
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Composição Musical - Parte 2 (por Flávio Lima)


Registre Suas Idéias:

Sabemos que grande parte das canções populares é composta de uma melodia e de uma letra. É importante, portanto, sabermos como se faz o registro seguro e prático destas idéias, para que elas não “desapareçam no ar” e possam ser devidamente integradas, resultando na composição final completa. Sim, é verdade! Muitas idéias de composições (algumas muito boas) não vêm ao mundo simplesmente porque, ao serem geradas, não são registradas de forma alguma. Infelizmente, acabam se perdendo no esquecimento.

As idéias de composição musical acontecem quando você, por exemplo, está assistindo à televisão, ou está simplesmente por aí e de repente uma determinada conversa, comentário ou outro acontecimento qualquer sugerem um tema interessante para uma letra. O impulso criativo toma forma, as idéias não param e aí é preciso registrá-las. É bom que você ande sempre com um bloco de anotações, desses bem pequenos e baratos mesmo (fica até mais fácil de ser transportado). Nem pense duas vezes, anote nele todas as suas idéias de temas e letras para composições. 

A inspiração pode vir na forma de uma pequena frase. Outras vezes, a idéia vem por meio de palavras desconexas, em seqüência. Mesmo que as frases ou as palavras não tenham sentido algum, o importante é que elas podem sugerir uma melodia (talvez seja essa a sua maior importância inicial), por isso devem ser anotadas. O contrário também pode ser verdadeiro, ou seja, uma melodia sugerir as palavras e frases mais adequadas. Não perca tempo, anote todas estas idéias antes que você as esqueça (algumas ficam em nossa cabeça por poucos segundos ou, no máximo, alguns minutos), sempre do modo mais fiel possível ao original. Estes pensamentos (aparentemente nenhuma relação entre si) depois de serem escritos no bloco de anotações, poderão ser posteriormente analisados por você para que haja um amadurecimento, de um modo mais amarrado e coeso. Isso porque nem sempre somos capazes de julgar as idéias criativas na hora que as concebemos. Às vezes é preciso um pouco de tempo para nosso cérebro processar aquela criação e reconhecer o seu valor, por isso a necessidade da anotação e da paciência.
 Se você preferir, é possível guardar suas idéias em um gravador pequeno (ou celular). Separe suas gracações, em algo do tipo “idéias para letras” ou “idéias iniciais para letras de música”, para que você possa localizá-la facilmente. É muito interessante que você leve o gravador para vários lugares, pelo menos quando estiver num período intenso de composição, já que nunca sabemos quando vamos ter uma boa idéia.

Já que estamos falando sobre gravadores, vamos falar um pouco sobre o registro de melodias, talvez a parte mais complexa referente ao registro de idéias para composição musical. O método oficial de registro de uma melodia é a partitura, na qual as notas e acidentes musicais são anotados por meio de sinais específicos, escritos na pauta musical. Sim, são aquelas “perninhas”, tracinhos e bolinhas pretas que para muitos é o mesmo que o idioma dos nossos conhecidos gregos. Felizmente, para o músico popular que não entende nada de partituras, tem um método mais prático que é a gravação da melodia direto no gravador. Neste método, você simplesmente canta ou assobia as notas (se preferir pode tocar no seu instrumento), da forma mais simples possível.
Essa melodia pode vir acompanhada de uma frase que não tem nada a ver, ou ela pode surgir associada a palavras soltas, ou não vir associada a nada (somente a melodia mesmo). Nos compositores com mais “estrada”, uma melodia pode aparecer associada a uma estrofe inteira (não se preocupem, com o tempo e insistência vocês conseguem!). O importante é que você grave tudo que considerar interessante, até um simples “tan ran ran” com três notas.
Não se esqueça que é possível que ninguém mais no mundo possa estar tendo a mesma idéia de letra ou melodia que você. Por isso, anote e grave tudo! Depois ouça bastante, critique e analise a pequena idéia que você teve. A melodia pode ter aparecido num tom muito alto para você cantar, aí você pode procurar o tom mais adequado para sua voz e para transmitir melhor a emoção que a música “pede”. Se a música que você quer fazer for mais acelerada, você pode aumentar um pouco o tom para cantar, para causar um efeito mais “quente”. A letra poderá ser alterada várias vezes para que fique completa, mas sempre a partir da idéia inicial que você precisou anotar. 

Para compor, é preciso senso estético, autocrítica e percepção apurados. Essas habilidades podem ser construídas e desenvolvidas com o exercício constante. O simples registro de suas idéias iniciais de letras e melodias, associado a análises constantes do material e à prática da autocrítica, vão desenvolver a sua percepção musical e a sua sensibilidade. Conseqüentemente, sua antena artística vai melhorar. A importância destes registros de letras e melodias (seja em anotações ou em gravadores) é apenas inicial. Quando a música começar a ganhar corpo, esses registros podem ser dispensados. Sugerimos, apesar disso, que você sempre os guarde, pois eles serão verdadeiros documentos de sua história como compositor. E nunca deixe de acreditar em seu potencial pessoal; tenha certeza de que ninguém no universo conseguirá compor igual a você!

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Retirado de: http://www.flaviolima.com/
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Composição Musical - Parte 1 (por Flávio Lima)


Este é o primeiro artigo de uma série na qual transmitirei algumas dicas sobre composição de música popular. Não abordaremos nesses textos o uso de partituras e sim da música feita intuitivamente, com o ouvido. Toda a experiência aqui relatada é fruto de vivências pessoais, de informações coletadas em fontes diversas e da observação de aspectos e comportamentos referentes ao meu próprio processo criativo, informações estas que tenho imensa satisfação de compartilhar com todos os leitores.

Primeiramente, para fazer música não é preciso ter algum dom supremo ou ser favorecido pela natureza com habilidades especiais ou extraordinárias. Esses casos existem sim, mas acredito que na maioria das vezes são as pessoas esforçadas e decididas e com força de vontade que conseguem fazer alguma coisa, que transformam sonhos em realidade por meio de atitudes ousadas e realistas.

Alguns compositores populares começam com a letra, outros iniciam pela melodia e alguns fazem os dois ao mesmo tempo, não há regras definidas. Um mesmo compositor pode num determinado dia iniciar com a letra e, noutra oportunidade, pode começar pela melodia, dependendo do humor, da vontade e de outros fatores que interferem no processo criativo do compositor. Pense nisso: por onde você prefere começar uma composição, pela letra ou pela melodia? É famoso o caso da canção “Satisfaction”, composta por Mick Jagger e Keith Richards, dos Rolling Stones. O guitarrista Keith Richards estava dormindo próximo à sua guitarra e a um gravador, como de hábito. Às vezes ele gravava algumas coisas durante seus cochilos, até que um certo dia viu que um trecho de fita havia sido usado. Ao ouvir a fita, o guitarrista percebeu que havia criado um riff interessante tocado em sua guitarra, em meio a alguns roncos: havia acabado de nascer a melodia (com três simples notas musicais) de um dos maiores hinos do rock, de modo bastante espontâneo e natural. A letra foi acrescentada depois com contribuições de Mick Jagger.

Lembro de que comecei a ter vontade de compor toda vez que ouvia alguma canção agradável (e isso continua a acontecer até hoje); pensava com convicção que também era capaz de fazer uma boa canção, à minha maneira. Esse é o primeiro passo, acreditar na própria capacidade. Tenha a certeza de que existem pessoas por aí que compõem maravilhosamente, têm muitas músicas guardadas em fitas cassete, letras escritas em blocos de anotações, mas que não acreditam no poder de suas composições. Essas pessoas têm um certo receio de mostrar seus trabalhos e acabam sendo um obstáculo a si próprias. Devemos nutrir a convicção de que cada um de nós é especial, porque ninguém tem a mesma experiência de vida que o outro. É esta experiência pessoal que molda e interfere nas letras e melodias que são produzidas, definindo o estilo do artista e estabelecendo o seu diferencial com relação aos outros músicos.

É esta diferença pessoal que vai definir a carga emocional a ser incorporada em cada canção que tocamos, compomos ou cantamos. É bastante interessante e recompensador sabermos que Deus nos fez para sermos diferentes e singulares. Não há quem não se emocione com o tom dramático do canto das lavadeiras, com a voz rouca e “rocker” de John Lennon cantando os dramas de sua infância ou do timbre rústico e verdadeiro de Jacinto Silva, Tororó do Rojão e Jackson do Pandeiro ao abordarem as dores e alegrias do povo nordestino. Esses artistas realmente descobriram como expressar sua marca pessoal; no início podem até ter imitado seus ídolos, mas depois encontraram uma definição própria de trabalho. É esta certeza do caminho encontrado que vai conferir segurança e confiança ao artista. Sendo assim, não fique aí parado, comece já a conhecer suas influências, gostos, preferências e limites; fazendo isso regularmente, sua personalidade começará a aparecer de modo natural e progressivo.

Considere-se uma pessoa dotada de um potencial infinito, pronto a ser trabalhado e desenvolvido; nunca diga que jamais vai conseguir compor nada que valha a pena. Por outro lado, não acho saudável encarar seus grandes ídolos como seres de outra galáxia, agraciados com uma força criativa inacessível a nós, simples mortais. É importante considerarmos os cantores e compositores dos quais gostamos como bons pontos de partida, como elementos de orientação e referência ao longo da estrada. Nossos ídolos musicais foram e são pessoas iguais a nós, pertencentes a realidades econômicas, culturais e sociais mais ou menos semelhantes à nossa. Eles apenas concentraram suas energias para realizar seus sonhos e souberam aproveitar as oportunidades que tiveram.

Espero que este artigo tenha motivado você a descobrir o maravilhoso mundo da composição musical, nem que seja para tentar rabiscar alguma letra num guardanapo em mesa de bar. Nos próximos artigos, aprofundaremos o tema, abordando aspectos como: encaixe entre letra e melodia, quais temas escrever nas letras, ritmos, como ter inspiração para compor, mercado musical, divulgação e muito mais. Até a próxima!
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Retirado de: http://www.flaviolima.com/
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